O que é gestão de inventário?

Gestão de inventário é o trabalho de uma empresa decidir quanto estoque manter de cada produto, quando e quanto pedir e medir o resultado dessas decisões. Seu objetivo é manter o mínimo possível de dinheiro parado na prateleira, sem ficar sem estoque. Suas principais ferramentas são a análise ABC (o quê), o ponto de pedido e o estoque de segurança (quando), a quantidade de pedido (quanto), além do giro de estoque, da taxa de estoque parado e da acuracidade da contagem (o resultado é bom?).

Estoque demais e estoque de menos custam dinheiro: um é capital parado na prateleira, o outro é venda perdida. A gestão de inventário consiste em equilibrar os dois não por palpite, mas com o mesmo cálculo para cada produto.

Esta página trata do estoque de mercadorias para venda. O que em tecnologia da informação se chama “gestão de inventário de TI” (o registro de ativos como computadores e licenças de software) é outro assunto.

As quatro perguntas que a gestão de inventário responde

PerguntaFerramentaDetalhe
Quanta atenção para cada produto?Análise ABCNesta página, abaixo
Quando pedir?Ponto de pedido (estoque crítico) e estoque de segurançaO que é nível crítico de estoque
Quanto pedir?Quantidade de pedido conforme a velocidade de vendaNesta página, passo 4
As decisões estão funcionando?Giro de estoque, taxa de estoque parado, acuracidade da contagemGiro de estoque, estoque parado, contagem do depósito

A diferença para a gestão de depósito

Os dois termos são muito confundidos, porque ambos lidam com o mesmo estoque. A diferença está na pergunta que cada um responde: a gestão de inventário decide “quanto, o quê e quando”; a gestão de depósito conduz o recebimento da mercadoria, sua armazenagem na prateleira, a separação e a expedição.

CritérioGestão de inventárioGestão de depósito
Pergunta que respondeO que, quanto e quando devo estocar?Como a mercadoria entra, onde fica e como sai?
Tipo de decisãoDecisão de compra e de dinheiroTrabalho de prateleira e de processo
Principais ferramentasAnálise ABC, ponto de pedido, estoque de segurança, quantidade de pedidoRecebimento, endereçamento de prateleiras, separação-expedição, contagem
Quando dá erradoDinheiro parado na prateleira ou venda perdidaMercadoria não encontrada, expedição errada, diferença de contagem

O lado do depósito — os quatro processos, do recebimento à expedição — explicamos no guia o que é gestão de depósito; para a organização das prateleiras, veja o endereçamento de prateleiras. O que se busca como “gestão de inventário de depósito” costuma ser a implantação dos dois juntos: sem uma boa organização das prateleiras o registro não se sustenta, e sem um bom registro não se pode tomar decisões de inventário.

Gestão de inventário em cinco passos

1. Primeiro, garanta que o registro esteja correto

As decisões de inventário são tomadas sobre a quantidade do sistema; se essa quantidade não bate com a da prateleira, toda decisão se apoia num número errado. O primeiro passo é fazer uma contagem e calcular a acuracidade do estoque: tipos de produto sem diferença ÷ tipos de produto contados. Se a taxa estiver baixa, corrija o sistema de registro antes de falar em ponto de pedido ou classe ABC. Os passos da contagem estão no guia como fazer a contagem do depósito.

2. Separe os produtos em três grupos com a análise ABC

Nem todo produto merece a mesma atenção. Calcule o valor anual de consumo de cada produto: quantidade vendida no ano × custo unitário de compra. Ordene a lista do maior para o menor por esse valor e calcule a participação acumulada de cada linha. Com os limites mais usados, os produtos que respondem pelos primeiros 80% do valor total formam o grupo A, os 15% seguintes o B e os 5% restantes o C. O grupo A costuma ser uma pequena parte da variedade de produtos, mas é ele que carrega o dinheiro; dê a ele sua atenção primeiro. Há uma tabela de exemplo abaixo.

3. Defina quando pedir cada produto

O momento do pedido é definido pelo ponto de pedido, ou seja, o nível crítico de estoque: quando o estoque cai a essa quantidade, faz-se o pedido. Sua fórmula curta é venda média diária × prazo de reposição × 1,2; a margem no final é o estoque de segurança. O cálculo passo a passo da fórmula está no guia o que é nível crítico de estoque. É aqui que o ABC ajuda: no grupo A, calcule o nível produto a produto e revise com frequência; no grupo C, basta uma regra comum por grupo de produtos.

4. Defina quanto pedir conforme a velocidade de venda

A quantidade de pedido deve ser a que você vai vender até o próximo pedido: venda média diária × número de dias entre dois pedidos. A quantidade da caixa do fornecedor ou a oferta de “desconto para quem compra mais” não deve distorcer esse cálculo: comprar uma caixa de 48 de um produto que vende 3 unidades por mês significa um ano de estoque e é a fonte mais comum de mercadoria parada por meses na prateleira. Nos produtos A, de alto valor, pedidos frequentes e pequenos reduzem o dinheiro parado; nos produtos C, de baixo valor, pedidos espaçados e em lote economizam trabalho.

5. Acompanhe o resultado com os quatro indicadores

Quatro números dizem se as decisões estão funcionando: o giro de estoque (com que velocidade gira o dinheiro investido em estoque), a taxa de estoque parado (quanto dinheiro nunca gira), o número de rupturas (quantas vezes a prateleira estava vazia quando houve demanda) e a acuracidade do estoque (quanto você pode confiar no registro). Os cálculos estão nos guias giro de estoque e estoque parado. Se o giro cai e o estoque parado aumenta, as quantidades de pedido são grandes; se as rupturas aumentam, os pontos de pedido são baixos. Meça e registre os quatro no mesmo dia a cada trimestre.

Exemplo de análise ABC

Uma lista de exemplo com seis produtos de uma loja de autopeças. Os números foram escolhidos para mostrar o método:

ProdutoVendas anuaisCusto unitárioValor anualParticipaçãoAcumuladoClasse
Óleo de motor 4 L1.200 unidades400 ₺480.000 ₺%48%48A
Pastilha de freio500 unidades600 ₺300.000 ₺%30%78A
Palheta do limpador600 unidades150 ₺90.000 ₺%9%87B
Lâmpada de farol1.000 unidades60 ₺60.000 ₺%6%93B
Kit de fusíveis800 unidades50 ₺40.000 ₺%4%97C
Junta150 unidades200 ₺30.000 ₺%3%100C

A lição da tabela é esta: o produto mais vendido em unidades (depois do óleo de motor, a lâmpada de farol, com 1.000 unidades) ficou no grupo B, porque seu valor unitário é baixo. O ABC ordena por dinheiro, não por quantidade. Dos seis produtos, dois respondem por 78% do valor total; é por esses dois que se começa a calcular o ponto de pedido produto a produto e a contar primeiro na contagem. A mesma classificação também é usada na prateleira: os produtos A ficam nos nichos perto da porta — explicamos as regras de disposição no guia de endereçamento de prateleiras.

Métodos de avaliação de estoque: PEPS (FIFO), custo médio ponderado, UEPS (LIFO)

Quando você compra o mesmo produto a preços diferentes, o método de avaliação define com qual preço se calcula o custo da mercadoria vendida. Essa escolha influencia o resultado do giro e do cálculo do lucro:

MétodoCusto da mercadoria vendidaQuando os preços sobem
PEPS/FIFO (primeiro a entrar, primeiro a sair)Pelo preço de compra mais antigoO custo parece baixo e o lucro alto; o estoque em mãos é avaliado perto do preço atual
Custo médio ponderadoPelo custo unitário médio recalculado após cada compraA oscilação de preços é suavizada; o resultado fica entre os dois
UEPS/LIFO (último a entrar, primeiro a sair)Pelo preço de compra mais recenteO custo parece alto e o lucro baixo; o estoque em mãos fica com os preços antigos

O FIFO também tem um sentido físico: a mercadoria colocada primeiro na prateleira é vendida primeiro. Num produto com prazo de validade, isso significa pôr o lote mais antigo à frente, e é o hábito mais simples para reduzir perdas; como aplicar na prateleira, a diferença para o FEFO e um exemplo numérico de custo explicamos no guia o que é FIFO. Qual método usar nos registros contábeis depende da legislação tributária; defina isso com o seu contador. O importante para as decisões de inventário é usar o mesmo método em todos os períodos ao comparar os indicadores.

O que um programa de gestão de inventário faz e o que não faz?

O programa não toma a decisão: ele reúne os dados em que ela se apoia e lembra do limite. No Ofisx, você define um nível mínimo para cada produto; quando o estoque cai abaixo dele, chega um aviso de estoque crítico. Na tela de contagem, a quantidade do sistema e a quantidade contada ficam lado a lado e a diferença é calculada. À medida que as vendas são registradas, vão se acumulando o relatório “Produtos mais vendidos” por intervalo de datas e o histórico de movimentação do produto. O programa não tem uma tela de análise ABC à parte: você exporta a lista de produtos para o Excel e monta você mesmo a tabela acima. Para trabalhar com o celular no depósito, as versões mobile e web compartilham os mesmos dados.

Se quiser começar sem programa, todos os cálculos também podem ser feitos à mão: calculadoras gratuitas de estoque crítico, estoque de segurança e giro de estoque, e para o registro há o modelo de controle de estoque em Excel pronto.

Perguntas frequentes

Gestão de inventário e gestão de estoque são a mesma coisa?

No uso cotidiano, sim: ambas tratam de decidir quanto manter de cada produto e acompanhar o resultado. A palavra “inventário” tem um segundo sentido na contabilidade: a lista das mercadorias em mãos numa determinada data, contadas e avaliadas (contagem de inventário, livro de inventário). A gestão de inventário é manter essa lista continuamente correta e equilibrada.

Qual é a diferença entre gestão de inventário e gestão de depósito?

A gestão de inventário decide o que, quanto e quando estocar; a gestão de depósito conduz como esse estoque será recebido fisicamente, onde será colocado e como será separado e expedido. A primeira é uma decisão de compra e de dinheiro, a segunda é trabalho de prateleira e de processo. Para os processos do depósito, veja o guia o que é gestão de depósito.

Como fazer a análise ABC?

Multiplique a quantidade vendida no ano de cada produto pelo custo unitário de compra, ordene a lista do maior para o menor por esse valor e calcule a participação acumulada de cada linha. Os produtos que entram nos primeiros 80% do valor total são classificados como A, os 15% seguintes como B e o restante como C. Esses limites são uma convenção, não uma regra; o importante é usar o mesmo limite em todos os períodos. Como as classes mudam com a velocidade de venda, refaça a análise pelo menos uma vez por ano.

Como calcular o estoque de segurança?

Há dois caminhos. O prático é acrescentar uma porcentagem da quantidade que será vendida durante o prazo de reposição: 20% na maioria dos produtos e 30-50% nos de demanda instável ou de fornecedor pouco confiável. O mais preciso subtrai da média o pior dia: (maior venda diária × maior prazo de reposição) − (venda média diária × prazo de reposição médio). O segundo você pode fazer com a calculadora de estoque de segurança.

Preciso de um programa para a gestão de inventário?

Não é obrigatório: todas as decisões podem ser tomadas no Excel. A diferença do programa é reunir os dados por conta própria — o estoque baixa a cada venda, chega um aviso para o produto que atingiu o nível crítico, e o histórico de vendas se acumula sem compilação manual. O programa não toma a decisão por você; de qual produto manter quanto continuam sendo os cálculos desta página. Quando migrar do Excel, explicamos no guia como fazer o controle de estoque do depósito.

Existe um PDF ou apostila de gestão de inventário?

Esta página foi escrita independentemente de qualquer programa e pode ser usada como material de aula: você pode baixá-la escolhendo “Salvar como PDF” no menu Imprimir do navegador. Os temas abordados: análise ABC, ponto de pedido, estoque de segurança, quantidade de pedido, giro de estoque, estoque parado, acuracidade da contagem e métodos de avaliação de estoque (FIFO, custo médio ponderado, LIFO).

Última atualização:

Estoque crítico, contagem e relatório de vendas no aplicativo

Os dados em que as decisões de inventário se apoiam se acumulam sozinhos a cada venda e a cada contagem.

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